Geotermia: como o calor da Terra pode impulsionar a transição energética no Brasil
- Vítor Pereira Faro
- 3 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

A busca por fontes de energia mais limpas e sustentáveis tem se tornado uma prioridade global diante das mudanças climáticas e da necessidade de reduzir as emissões de carbono. Nesse cenário, a geotermia surge como uma alternativa promissora, capaz de fornecer energia constante e renovável.
Embora ainda pouco explorada no Brasil, essa fonte pode desempenhar um papel importante na diversificação da matriz energética nacional e no avanço da economia verde.
O que é geotermia
A energia geotérmica é gerada a partir do calor armazenado no interior da Terra. Esse calor pode ser aproveitado por meio de reservatórios subterrâneos de vapor, água quente ou rochas aquecidas, e transformado em energia térmica ou elétrica.
Na prática, o processo envolve o uso de poços e trocadores de calor que captam a energia térmica do subsolo, transferindo-a para aplicações como geração de eletricidade, aquecimento, refrigeração e processos industriais.
A base geológica da geotermia depende de fatores como o gradiente térmico natural (a taxa de aumento da temperatura com a profundidade), a presença de aquíferos profundos e o tipo de solo ou rocha. Em regiões onde o gradiente é mais elevado, como áreas vulcânicas ou de atividade tectônica intensa, o aproveitamento do calor do subsolo é mais viável e eficiente.
Tipos de energia geotérmica e suas aplicações
Existem dois tipos principais de uso da energia geotérmica:
Alta entalpia: ocorre em áreas com temperaturas superiores a 150°C, geralmente associadas a regiões vulcânicas. É utilizada na geração de eletricidade, com destaque para países como Islândia, Itália, Estados Unidos e Japão, onde o calor do subsolo move turbinas e alimenta redes elétricas inteiras.
Baixa entalpia: ocorre em locais onde as temperaturas são mais moderadas (abaixo de 100°C). Nesse tipo de sistema, o objetivo não é gerar eletricidade, mas trocar energia entre o ambiente e o solo, utilizando bombas de calor geotérmicas. Esses equipamentos aproveitam a estabilidade térmica do subsolo para aquecer ou resfriar ambientes de forma contínua e eficiente.
Essa tecnologia tem sido aplicada em edifícios, hospitais, indústrias e centros de pesquisa, reduzindo de forma significativa o consumo de energia elétrica convencional destinada a climatização.
Com os avanços recentes, a geotermia também começa a ser aplicada em projetos agrícolas, como estufas e sistemas de secagem, ampliando seu potencial econômico e ambiental.
O potencial da geotermia no Brasil
O potencial da geotermia no Brasil está concentrado principalmente em aplicações de baixa entalpia, voltadas à climatização e eficiência energética. Mesmo sem atividade vulcânica, o país dispõe de um gradiente térmico natural estável e aquíferos profundos que permitem a troca de energia entre o ambiente construído e o solo, por meio de bombas de calor geotérmicas.
Regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste se destacam pelo gradiente geotérmico mais elevado, que pode ser aproveitado tanto para uso residencial e comercial quanto para processos industriais.
Além disso, áreas agrícolas podem se beneficiar da tecnologia para climatização de galpões e estufas, reduzindo o custo energético e aumentando a eficiência produtiva.
No contexto da transição energética, a geotermia representa uma fonte constante e previsível, diferente de outras fontes renováveis como solar e eólica, que dependem de condições climáticas.
Isso a torna uma opção estratégica para estabilizar o sistema elétrico e contribuir para metas de descarbonização e sustentabilidade.
Desafios técnicos e regulatórios
Apesar do potencial, a expansão da geotermia no Brasil enfrenta alguns desafios.
Entre eles, destacam-se:
Ausência de regulamentação específica, o que dificulta a atração de investimentos e a padronização de projetos;
Necessidade de estudos geológicos e geotécnicos detalhados, para avaliar a viabilidade técnica e econômica de cada aplicação;
Superar essas barreiras depende do avanço da pesquisa aplicada e da integração entre universidades, empresas e governo, para desenvolver tecnologias e modelos de negócio adaptados à realidade brasileira.
O papel da inovação e da engenharia de projetos
A viabilidade da geotermia depende do avanço da inovação e da engenharia de projetos. A modelagem geotécnica e a simulação térmica do solo permitem prever o comportamento térmico do subsolo e dimensionar sistemas com maior precisão, garantindo eficiência e segurança.
Ferramentas de monitoramento geotécnico e térmico também são essenciais para acompanhar o desempenho das instalações ao longo do tempo.
Outro ponto relevante é a possibilidade de reaproveitamento do empreendimento, como estacas ou elementos estruturais enterrados para integrar sistemas geotérmicos, reduzindo custos de implantação e minimizando interferências em obras já em operação.
A combinação entre pesquisa aplicada, engenharia de precisão e soluções construtivas inteligentes é o que possibilita transformar o potencial da geotermia em aplicações reais, especialmente em ambientes urbanos e industriais.
A contribuição da Solution
A atuação da Solution na interface entre ciência, tecnologia e engenharia tem permitido o avanço de iniciativas voltadas à eficiência energética e ao uso sustentável dos recursos naturais.
Um exemplo disso é o projeto de geotermia de baixa entalpia desenvolvido em Ponta Grossa (PR), realizado em parceria com o Governo do Paraná, universidades e instituições de pesquisa.
Nesse projeto, a Solution aplicou sua expertise em modelagem geotécnica, análise de solos e monitoramento para integrar sistemas de troca térmica com o subsolo, utilizando a estabilidade térmica das camadas profundas para aquecimento no inverno e resfriamento no verão. Essa abordagem possibilita reduzir o consumo energético em até 70%, além de contribuir para a diminuição das emissões de CO₂.
Ao apoiar projetos de base tecnológica, a Solution fortalece a aplicação prática da geotermia no Brasil e demonstra como a engenharia de precisão pode viabilizar soluções inovadoras e sustentáveis para edifícios e infraestruturas. Essa atuação reforça o compromisso da empresa com a transição energética e com o desenvolvimento de tecnologias alinhadas aos princípios da economia verde.
Conclusão
A geotermia representa uma das alternativas mais promissoras para a diversificação da matriz energética brasileira. Além de ser uma fonte limpa, constante e de baixo impacto ambiental, ela tem potencial para impulsionar a economia verde, gerar empregos qualificados e fortalecer a autonomia energética do país.
Com o avanço da pesquisa e da engenharia de projetos, a aplicação de tecnologias geotérmicas se torna mais acessível e eficiente. Projetos que integram conhecimento científico, inovação e planejamento técnico são fundamentais para transformar o calor do subsolo em uma fonte segura e sustentável de energia, contribuindo para um futuro energético mais estável e sustentável no Brasil.




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